Visita Pastoral - Palavras finais do Pároco - Louvor e agradecimento


De onde vêm os morangos, senhor Bispo?

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Esta foi uma das primeiras questões – decisiva – colocada por uma criança ao Senhor Bispo, no encontro com o Pré-escolar e 1.º Ciclo. Simples, direta, terra-a-terra, como as crianças. E da mesma forma o Senhor Bispo respondeu que já tinha visto os morangos, mas não podia dizer onde os viu pois poderiam ir lá buscá-los.

As questões permitem-nos dialogar, escutar e tentar compreender o mundo dos outros. Mais pequenos ou maiores. Como pároco e em nome da comunidade paroquial, agradeço à comunidade educativa, ao Agrupamento de Escolas, na pessoa da sua Diretora, da Direção e aos docentes e assistentes operacionais, todos quantos nesta dimensão da vida tem responsabilidades e compromissos. Muito obrigado a todos pela simpatia, pelo acolhimento fidalgo, pela disponibilidade alegre, pela proximidade afetiva.

A fé cristã fala-nos de um encontro, de Deus com a humanidade. Deus espera por nós, mas não fica à espera no Seu mundo, vem ao nosso encontro, em Jesus torna-Se um de nós, vem habitar connosco. Seguindo-O, cabe-nos a mesma prontidão para partir, para ir, para procurar, para ir em auxílio do outro, sobretudo dos mais fragilizados pela doença, pela idade, pela solidão ou por outra qualquer dificuldade.

O início e “quase” final da Visita Pastoral levou-nos a casa dos doentes e suas famílias. Foi um tempo precioso de encontro, de partilha e de comunhão. Assim também a Visita ao Lar da Santa Casa da Misericórdia e ao Centro de Promoção Social de Tabuaço, procurando levar a carícia de Deus, nas mãos do Sr. Bispo, a mão de Deus que nos ama, que cuida de mim e de ti. Muito obrigado pela alegria com que nos recebestes, fazendo-nos sentir em casa. O agradecimento, às famílias e nas pessoas do Provedor da Santa Casa e do Presidente do Centro de Dia, e seus corpos sociais e funcionários, a todos quantos se empenharam nestas Instituições, para que a visita deixasse marcas e o Sr. Bispo levasse a todos no coração. Muito obrigado. Que Deus vos conceda todo o bem.

Mas venha mais uma questão:  porque é que o mundo é redondo? Talvez pudesse ser quadrado… plano… quem sabe? Poderíamos intentar uma resposta científica, com vários argumentos. A resposta do Sr. Bispo, partindo de um filósofo alemão (Kant), sublinhou a certeza que, sendo redondo, demos os passos que dermos, estamos sempre a aproximar-nos. É esse o propósito do Pastor, ajuntar o rebanho, ir em busca de todas as ovelhas, mais próximas ou mais distantes, mais saudáveis ou mais sofríveis. É esse o intento das Visitas Pastorais. Desde o dia 5 de janeiro até hoje, faltando ainda a Paróquia do Pereiro, o Sr. Bispo percorreu o chão do concelho de Tabuaço, indo ao encontro das pessoas, das suas vidas, das suas interrogações e das suas lágrimas, das suas alegrias e das suas dúvidas, comunicando esperança, cuidado, trazendo a carícia de Deus, particularmente aos nossos velhinhos, às pessoas fragilizadas pela vida. Sem excluir ninguém.

Como cristãos e paroquianos, foram vários os momentos e as celebrações, e as interpelações do Sr. Bispo. Como referido na contextualização à celebração, a pregação, sempre oportuna, descontraída e provocadora dos reverendos Padres Diamantino, Giroto e Vítor Carreira. Eles sentem-se felizes quando participam da vida da nossa comunidade, a celebrar, a pregar, a conviver. E nós, a começar pelo pároco, fazemos questão em que assim seja. Muito obrigado. Agradecimento extensível a todos quantos ajudaram a preparar a Visita Pastoral (e que colaboram em diferentes grupos paroquiais, em diversos serviços), os conselhos, as ideias, a partilha de sugestões, o tempo que disponibilizaram para arranjarem tudo: os espaços e as refeições, no centro paroquial e nas famílias que nos receberam em suas casas, as celebrações e os encontros. Sempre que necessário, organizaram-se além dos compromissos do pároco, o que é sempre bom. São necessárias sempre mais pessoas. Mais oração. Mais missão. Mais pastores e mais ovelhas. Mais luz. Mais Jesus. E não esquecer que Deus está metido nestas coisas, pelo que não há lugar para o desânimo, mas para alegria, para esperança, Deus não nos falta. Deus está metido nisto e conta contigo e comigo.

Crianças, jovens, adultos e os nossos velhinhos, são todos sujeitos da missão evangelizadora. Os novos trazem a alegria e o entusiasmo, os menos novos, trazem a sabedoria, a persistência e legam-nos a paciência, a fé a fidelidade.

Um dia a tartaruga decidiu sair da sua casinha, de noite. O sapo, que era seu vizinho, avisou-a: cuidado, não saias, é perigoso sair de noite, podes cair, pode vir algum animal perigoso e dar cabo de ti. A tartaruga não se deixou convencer e decidiu sair, transgredindo um normativo, uma tradição. Um pouco depois tropeçou e caiu, ficando de patas para o ar. O sapo, ouvindo o barulho do tropeção, veio ao seu encontro para lhe dizer: és casmurra, eu não te avisei? A resposta da tartaruga: pelo menos, vi o céu estrelado. De outra forma nunca teria visto o Céu e com tantas estrelas. Às vezes é preciso ir além das regras, das tradições e apostar, fazer pontes, transgredir com a rotina e com o passado e dar passos em frente, em direção aos outros.

O meu e o nosso agradecimento à Câmara Municipal, nas pessoas dos seus representantes, Presidente da Assembleia Municipal, Presidente da Câmara, Vice-Presidente, vereação, a todos os que neste concelho têm responsabilidades autárquicas, presidentes das Juntas de Freguesia. Ide além dos convênios populares, procurai com responsabilidade e criatividade servir as pessoas que vos estão confiadas. E, claro, convosco todos aqueles que colaboram política e/ou profissionalmente, nos serviços públicos, procurando levantar as pessoas, promover o bem que nos une, nos aproxima, sabendo-nos responsáveis uns pelos outros. Muito obrigado pelos momentos de encontro, de reflexão, de partilha de ideias, de convívio fraterno: funcionários e serviços camarários, associação A2000, Universidade Sénior, CPCJ, Loja Social, Turismo, MIDU, Piscinas, Junta de Freguesia. Espaços, mas sobretudo o encontro com pessoas, com rostos, a quem precisamos de encontrar e a quem temos que responder, pois elas interpelam-nos, trazem no rosto as marcas de Deus.

E outra história, contada pelo Sr. Bispo aos crismandos, ao explicar alguns símbolos do Crisma: a pomba, aliás, assim se virá a confirmar, a pomba estúpida, que protestava com Deus, por tudo e por nada, porque tinha duas patas fininhas, enquanto o gato tem 4 patas e grossas. E Deus, escutando-a – também nos escuta a nós, também nos responde – colocou-lhe duas asas. Mas a pomba deixou-se apanhar pelo gato. Pomba estúpida, não percebeu que Deus lhe deu as asas para voar e não para lhe pesarem. Também a nós, a mim e a ti, Deus dá asas para voarmos, para não cruzarmos os braços diante das dificuldades e contratempos, mas predispomo-nos a ir ao encontro dos outros, a levar carinho e cuidado, atenção, e a fazer pontes, promovendo a cultura do diálogo, da caridade e da bênção, da beleza e da ternura.

São pontes que habitualmente a Igreja faz com outras Instituições, o Centro de Saúde, que nos recorda que a vida também se cura, muitas vezes, pela palavra e pelo carinho, pela delicadeza com que se escuta e se ajuda a pessoa frágil, isso mesmo pudemos constatar no encontro com os responsáveis pelo nosso centro de saúde; os Bombeiros Voluntários, que encontrámos na Sede e hoje, na pessoa do seu Comandante e na Fanfarra que torna ainda mais festiva a nossa festa, e que nos remete ao mandamento do amor: amais-vos uns aos outros como Eu vos amei. Vida por vida. Serviço e dedicação aos outros e aos seus bens, aos bens da criação. Guarda Nacional Republicana, garante da ordem e da segurança pública e, que sempre, se prestam, com alegria e serviço de missão, em cooperar connosco, com a comunidade paroquial. Muitíssimo obrigado pela delicada atenção, Comandante do Posto de Tabuaço e seus agentes. Nunca detetei qualquer má vontade da vossa parte, pelo contrário, sempre beneficiei, em relação à paróquia, da vossa proximidade, prontidão e disponibilidade, respeito e delicadeza. Muito obrigado.

 

Sr. Bispo, porque é que acredita em Deus?

Porque Deus acredita em mim. Antes de eu acreditar n’Ele, Ele vem e acaricia-me, cuida de mim, acredita em mim. Então eu posso fiar-me n’Ele. Posso acreditar porque antes Ele acredita em mim, e em ti. Ama-me, protege-me, guia-me.

A todos os que estais aqui, nesta tarde de júbilo, muito obrigado. Que Deus vos agracie com a alegria da fé, com a diligência da esperança, com a largueza da caridade para com todos. Muito obrigado aos sacerdotes presentes: Pe. Ildo de Jesus, Pe. Albano, Pe. Luís Ribeiro da Silva, Pe. Giroto, Pe. Vítor e também àqueles que rezando connosco não puderem estar: Pe. Diamantino, Pe. Duarte e Pe. Amadeu, cujo compromisso com este chão faz com que nos sintamos mais próximos do Céu, mais próximos uns dos outros. E neste agradecimento a inclusão, por direito, ao João Miguel, pelo testemunho da sua presença, pela alegria da sua fé, pela colaboração disponível, recordando-nos que a Igreja em Tabuaço, nas várias paróquias, parte integrante de Lamego, é chamada e enviada em missão. Tudo, Todos e sempre em missão. Deus te abençoe e te proteja. E a quem nos visitou nestes dias, O Sr. Vigário Geral, Pe. Joaquim, o Padre João Carlos, e o Irmão Joaquim, cujos rostos e presença alegraram e alegram a nossa alma.

The last, but not least – a cultura do Sr. Bispo é muito abrangente e por certo que me entende, mesmo numa língua que sei pouco…

Muito obrigado D. António. Foi um gosto tê-lo entre nós nestes dias. É um gosto saber que se sentiu em casa. Que se sente em casa, sempre que visita as nossas casas e as nossas comunidades. Contagiou-nos com a sua alegria espontânea, com a sua sabedoria, com grande proximidade e simplicidade, sem tiques nem trejeitos de distância, com um sentido de fé e de humanidade, respondendo às nossas inquietações, mas fazendo-nos novas questões. Há mais céu, estamos todos debaixo deste céu. Somos responsáveis uns pelos outros. Outro é da minha responsabilidade. Não posso fazer de conta, virar a cara para o lado, deixar para lá, tornar-me indiferente ao outro e ao seu sofrimento. O que se passa contigo diz-me respeito. Sou responsável por ti. Tenho de cuidar de ti, pois, como Deus está metido nisto, ao cuidar do outro, cuido de Deus. E já não há tempo para mais histórias, porque senão teria de contar aquela em que o Sr. Bispo, no nordeste brasileiro, se ausentou da palhota e, andasse ou corresse, tinha sempre a companhia dos elementos da tribo, por se saberem responsável pelo que pudesse acontecer, em todos os momentos e circunstâncias. Antes da privacidade, a responsabilidade e cuidado pelo outro. É um desafio para nós. Deus confia-nos os irmãos, sobretudo os mais frágeis.

Dia 8 de junho, D. António, volta para presidir à Eucaristia, nesta nossa Igreja. Dia 22 de junho, somos convidados, a juntarmo-nos a ele no Santuário de Santa Eufémia de Penedono, no Dia da Família Diocesana.

Obrigado bom Jesus e bom Pastor por nos chamares para junto de Ti e por nos achares dignos em nos enviares em missão a todos, em todo o lugar.

Obrigado pela Mãe que nos dá, que invocamos como Nossa Senhora da Conceição, nossa Padroeira e Madrinha dos Bombeiros Voluntários. E se de alguém me esqueci, coloco no coração da Mãe: Avé Maria.

 

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