Paróquia presente na Abertura da Cefécult


No dia 19 de outubro, sexta-feira, arrancou, no Seminário Maior de Lamego, o segundo ano do Curso Básico de Formação Religiosa, promovido pelo Centro de Estudos Fé e Cultura (CEFECULT), cujo Diretor é o Reitor do Seminário, Cónego Joaquim Dionísio. As sessões decorrem às sextas-feiras, das 20h30 às 22h20, no Seminário. Para o arranque do ano, a proposta de uma conferência dedicada à reflexão da missão: “Todo o cristão tem uma missão, todo o cristão é missão”.

Esta tertúlia missionária realizou-se em vésperas do 92.º Dia Mundial das Missões, este ano a 21 de outubro. Na Sua Mensagem, o Papa Francisco comprometeu-nos, a todos, com a missão, ligando-nos ao Sínodo Extraordinário dos Jovens, que decorre em Roma (3 a 28 de outubro): “Juntamente com os jovens, levemos o Evangelho a todos». Logo nas primeiras palavras, o Santo Padre salienta que “todo o homem e mulher é uma missão, e esta é a razão pela qual se encontra a viver na terra. Ser atraídos e ser enviados são os dois movimentos que o nosso coração, sobretudo quando é jovem em idade, sente como forças interiores do amor que prometem futuro e impelem a nossa existência para a frente… ‘Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo’ (Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 273). A Igreja, ao anunciar aquilo que gratuitamente recebeu (cf. Mt 10, 8; At 3, 6), pode partilhar convosco, queridos jovens, o caminho e a verdade que conduzem ao sentido do viver nesta terra… Queridos jovens, não tenhais medo de Cristo e da sua Igreja! Neles, está o tesouro que enche a vida de alegria”.

Outubro missionário extraordinário…

O Papa Francisco Papa Francisco decretou o mês de outubro de 2019 como um “Mês Missionário extraordinário”, para assinalar o centenário da promulgação da carta apostólica Maximum Illud, de Bento XV, documento que visava impulsionar toda a Igreja para a missão. Motivados por esta convocação papal, os Bispos portugueses, por sua vez, instituíram um ano missionário extraordinário, de outubro a outubro, de 2018 a 2019. Para esse efeito publicaram uma Nota Pastoral, “Todos, Tudo e Sempre em Missão”, convidando a Igreja a passar de uma pastoral de conservação, a uma pastoral missionária.

“Como discípulos chamados e enviados por Cristo, somos participantes do seu ministério e a missão só pode ter êxito com pessoas interiormente emocionadas e convencidas pela mensagem de Cristo. Não somente temos uma mensagem para anunciar, mas nós próprios somos a mensagem”. Foi desta forma que o Pe. Joaquim Dionísio introduziu a temática, deixando questões para serem refletidas pelo Sr. Bispo D. António Couto e pelas pessoas presentes: “Como podemos fazer com que as pessoas que encontramos experienciem um pouco do amor e da misericórdia de Deus? Como podemos dar testemunho da beleza do Evangelho através da nossa vida? Como podemos suscitar em outras pessoas o anseio de Deus, através da nossa existência e da nossa forma concreta de viver como cristãos? Como podemos contribuir para a construção e a configuração do futuro da Igreja, suscitando esperança e confiando plenamente em Deus?”

Cada um tem uma missão; cada um é uma missão.

Oriundo dos Missionários da Boa Nova, D. António Couto está familiarizado com a linguagem e a ação missionária, também da chamada missão Ad Gentes, tendo sido missionário em terras africanas, nomeadamente Moçambique. Agora como Bispo é o primeiro responsável pelo rosto missionário da Igreja que vive em Lamego.

D. António, servindo-se de alguns estudos e dados, foi mostrando como havia cada vez mais pessoas a desconhecerem Jesus Cristo, a desconhecerem o Evangelho, sendo que a missão evangelizadora nos compromete a todos, em toda a parte, usando todos os recursos.

A missiografia diz-nos que em 2006 havia 4.373.076.000 não cristãos e em 2025 serão 5.220.896.000. Uma multidão imensa de pessoas que não conhece ou não aderiu a Jesus Cristo.

A evangelização terá de ser porta a porta, coração a coração, com a Igreja a regressar às casas, como era no início, com o fogo que habita cada um. No nosso meio, ainda que vamos vendo algumas Igrejas cheias, são muitos os que estão fora, estão longe, alheados e indiferentes. Por conseguinte, e os Papas têm vindo a insistir nesta vocação primeira da Igreja, é necessário ir, dar testemunho, viver com a alegria o Evangelho, atrair com coerência, com a própria vida.

São Paulo VI deixou claro que “evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a Sua identidade mais profunda. A Igreja existe para evangelizar” (EN 14). O primeiro serviço da Igreja, nas palavras de São João Paulo II é a evangelização missionária. A igreja peregrina é por natureza missionária (cf. AG 2).

Afetividade missionária

Depois da intervenção de D. António Couto, que nos comprometeu e desafiou a sermos missionárias em todo o tempo, em casa, no trabalho, na rua, chegou o momento do diálogo, com algumas perguntas ao Sr. Bispo e testemunhos, sublinhando a ambiência da oração, para que na intimidade com Jesus se possa comunicá-l’O com alegria; o papel da família e da escola na educação dos valores cristãos; o chamar, desafiar, convidar pessoa a pessoa, o vizinho, o familiar, o colega de trabalho. Olhando para a postura do Papa Francisco a certeza de que a Igreja missionária será sobretudo uma Igreja afetiva, próxima, envolvida na ternura e na compaixão. O cristianismo, como vincou Bento de XVI, expande-se por atração, ou por contágio, nas palavras de Francisco.

No final deste encontro o agradecimento do Pe. Joaquim Dionísio ao Senhor Bispo e a todos os presentes. Ficámos com a certeza, reiterada muitas vezes, que há sempre uma caminho maior a percorrer e, daí, que tenhamos que ser cristãos intranquilos, pois ainda nos falta fazer muito, confiantes que Jesus prossegue connosco, sendo que o principal agente da evangelização é o Espírito Santo.


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