CRÓNICAS & DESAFIOS


ANO DE 2019: PÁGINAS A ESCREVER

Inicia-se um novo ano com novos desafios e novos propósitos.

A diferença é um instante impercetível: ora estamos num ano e de seguida num ano novo. E, curioso, nem todos entramos ao mesmo tempo no novo ano, tendo em conta a latitude em que estamos! Sublinhe-se que a distância de um a outro é a mesma distância temporal de um dia para o outro, mas psicologicamente a passagem de ano tem um impacto muito maior. Bem vistas as coisas, a vida é feita de anos, mas estes são preenchidos de meses, semanas, horas, minutos, segundos, instantes que podem alterar para sempre a vida, positiva e negativamente. O ano não se perde nem se ganha na passagem, mas ao longo de milhentos instantes em que podemos transformar a vida e o mundo. Ainda assim, a carga que nos move pode ser um desafio a renovarmos propósitos, avaliando também o que temos sido!

Alguns iniciam o ano com um novo diário. Novas páginas em branco para serem escritas. Num caderno ou num diário é possível rasurar, acrescentar notas, riscar partes e, nalguns casos, até rasgar folhas. O ideal, digo eu, é que, sendo sigiloso, se pudesse escrever em continuum, pois se são as sensações, os momentos, os pensamentos que surgiram naquele instante, àquele instante pertencem para sempre. Mas, talvez com o receio que outros possam ver, ou porque a releitura de algumas páginas pode ser demasiado dolorosa, ou simplesmente porque não se quer recordar um acontecimento, ou as palavras que foram proferidas, há quem risque, rasgue páginas ou queime o próprio diário.

Na vida, porém, isso não é possível.

Não é possível reescrever a história pessoal, familiar, social! Simplesmente não é possível, ainda que alguns possam dizer que estão a reescrever as suas vidas. Em absoluto, não! Parafraseando Augusto Cury, não somos um computador com disco rígido que pode ser formatado e do qual se podem apagar alguns ficheiros. A nossa memória é seletiva, mas não é reformatável, a não ser em situações de psicose, de doença ou enfraquecimento neurológico! Porém, podemos acrescentar memórias positivas, viver, apostar nos que nos faz bem à alma e o que nos faz bem precisa de ser partilhado, cimentado na relação com os outros. Há mais alegria em dar que em receber. Não podemos apagar o passado. Nem devemos fazê-lo. Ignorar o que fomos, não nos permite caminhar para o que queremos ser, pois sem memória não é possível progredir, caminhar, escolher, quando a escolha é possível, escolher o que nos humaniza, nos irmana, nos realiza como pessoas, nos faz responder positivamente à vocação primeira: sermos felizes. Foi para isso que Deus nos criou! Não rasguemos páginas, escrevamos outras, preenchendo-as de vida!

Que o Deus de toda a paz a todos abençoe em 2019, com todos os seus instantes!

Publicado originalmente na Voz de Lamego, Jornal da Diocese de Lamego, a 2 de janeiro de 2019


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