Solenidade da Imaculada Conceição - 2019


O Senhor Deus dá-nos a graça de celebrarmos a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria. É uma festa que remonta ao século VII, embora só em 1708 que o Papa Clemente XI a designa como solenidade a ser celebrada por toda a Igreja. Mais tarde, em 1854, o Papa Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição através da Bula Apostólica “Ineffabilis Deus”. No entanto, já em 1646 (dois séculos antes da definição dogmática), D. João IV a declarara Padroeira, Senhora e Rainha de Portugal.

Ao longo de nove dias procuramos preparar-nos para esta solenidade refletindo na Palavra que Deus propunha para cada dia que aqui nos encontramos. Mas refletimos também na vida da Bem-aventurada Virgem Maria, como aquela que esteve sempre presente nos mistérios da vida do seu Filho, tal como está presente na vida da Igreja que está em caminho. Para isto auxiliamo-nos na Carta Encíclica “Redemptoris Mater” do Papa São João Paulo II, de 1987.

Maria foi aquela que aceitou as palavras do Anjo Gabriel, portanto as palavras de Deus, e acreditou até ao fim. É a partir deste momento da anunciação, que a vida de Maria de Nazaré muda total e radicalmente. Ela é a eleita de Deus para ser a Mãe do seu Filho. Ela é aquela que, através do cântico do Magnificat (Lc 1, 46-56), nos ensina a oferecer a Deus o nosso louvor pelas maravilhas que opera na nossa vida. Ela é aquela que está atenta ao essencial, nas Bodas de Caná e na vida de cada um de nós, apontando sempre o caminho do seu Filho (“fazei o que Ele vos disser” Jo 2, 5). Ela é aquela que sofre em silêncio ao ver o seu Filho na Cruz e, por incrível que pareça, é neste momento, em que tudo parece ter chegado ao fim, que Ela se torna a Mãe de toda a humanidade, Mãe da Igreja (“Eis a tua mãe!” Jo 19, 27). Ela é aquela que encontramos no Cenáculo em oração com os Apóstolos no dia de Pentecostes. São demasiados acontecimentos para um só coração. Só um coração enorme, como o das mães, conseguem suportar tanto.  

Celebramos, portanto, a pureza de Maria. Imaculada, sem mácula, sem mancha do pecado original. Eis o sentido deste dia. As palavras de Pio IX na proclamação do dogma da Imaculada Conceição são claras: “que a santíssima Virgem Maria foi preservada imune de toda mancha de culpa original no primeiro instante da sua Conceção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, na atenção aos méritos de Jesus Cristo, salvador do género humano”.

A Palavra de Deus escutada nesta solenidade convida-nos a olhar, num primeiro momento, para o livro do Génesis. São vários os exegetas que colocam lado a lado Eva e Maria, sobretudo para nos apontar que Eva ouvindo a voz de Deus desobedece-lhe e, por isso, conduz a humanidade ao pecado, portanto à morte. Já Maria, aquela que acreditou e obedeceu a Deus encaminha-nos, desta forma, à vida da graça, à salvação, que é o próprio Filho. Por isso, quando contemplamos no Evangelho deste dia a cena da Anunciação percebemos claramente a fé, a obediência, a fidelidade de Maria. Isto reflete-se na resposta que dá ao Anjo: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Desta forma, ao olharmos para a figura ímpar da Virgem de Nazaré, este dia convida-nos também a refletir na santidade. Sim, todos somos chamados a ser santos e irrepreensíveis, como o afirma São Paulo aos Efésios.

Contemplemos Maria. Aprendamos a sua humildade, a sua simplicidade, a sua entrega, a sua fidelidade a Deus. Que Maria, a Senhora da Conceição Imaculada, interceda por todos nós junto do seu Filho.

 

Pe. Vítor Carreira, Pregador da Novena e da Festa de Nossa Senhora da Conceição 2019


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