Solenidade da Epifania do Senhor - ano B - 7 de janeiro de 2018


1 – Uma estrela. Um Menino. Um caminho. Um Palácio. Uma gruta. Dois Reis. Um Pai e uma Mãe. Os entendidos do palácio e alguns magos vindo de longe. O Oriente no Ocidente. E o mundo inteiro. A Luz e a Salvação. Os presentes. A realeza, a divindade, a humanidade. A vida do Deus-Menino e a minha vida, a tua vida. A nossa vida. A nossa história! A vida apagada, escondida, parada e a negociar poderes e a vida iluminada e redimida. Um regresso. Outro caminho? Caminho novo? Ou o mesmo caminho visto com uma luz nova, intensa, densa, que não se apaga, luz que inunda a partir do alto, a partir de Deus, a partir de dentro, a partir do coração!

E ainda Belém ou Nazaré! A minha e a tua rua. Na minha e na tua casa. Lá e aqui. Perto de Jesus e Jesus próximo de nós, aqui e lá. Deus igual a nós, para que sejamos nós iguais a Deus, na capacidade de amar e ser amados.

 

2 – Do Oriente, diz-nos Mateus, chegam a Jerusalém uns Magos, por ocasião do nascimento de Jesus em Belém da Judeia. «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». A pergunta é acompanhada de um propósito: adorar Aquele que nasceu. Não perguntam por curiosidade, ou para ficarem bem informados, perguntam para adorar, para rezar ao Deus que Se fez Menino.

Vêm de onde? Do Oriente, isto é, de todo o mundo. Só se conheciam povos a Oriente; a Ocidente, água e mar. Por conseguinte, os Magos foram adquirindo ao longo do tempo nomes e cor de pele diferente, para significar a origem diversa e representativa das nações do mundo inteiro.

Quantos eram? A tradição mais popular popularizou-os em três, a conta que Deus fez. Porém, o Evangelho só se refere a Magos! Serão dois? Serão três? Quatro? Talvez! Ou cinco ou seis, eu e tu também queremos estar lá para adorar o Senhor Jesus!

Quem são os Magos? Eu e tu? Podemos ser todos! São Reis ou são Magos? São sábios! Hoje seriam os homens da ciência e da cultura. Jesus veio para os pastores! Veio para mim e para ti. Veio para os Magos! Veio por mim, por ti e por todos e todos somos convidados a adorá-l'O reconhecendo-O como Deus, para nos reconhecermos iguais e caminharmos fraternalmente. Os Reis ficam descansados, fartos, acomodados no Palácio! Os magos são buscadores da luz e da verdade! No final, é um Rei que encontram! Mas um Rei-Menino, pobre, simples, Deus, despojado, sem ouro nem adorno.

Que presentes oferecer? O melhor que têm! Ouro, Incenso e Mirra. Divindade, Realeza, Humanidade. Reconhecimento do mistério que se desvela e se esconde n'Aquela criança. O facto de serem três presentes, levou a tradição a considerar que os magos eram tantos quantos os presentes que deram a Jesus! Talvez tenhamos que colocar aos pés do Menino-Deus mais alguns presentes para lá cabermos também nós: o nosso olhar, o nosso coração, a nossa vida! A minha e a tua!

Na Eucaristia rezamos para que seja Ele o nosso presente: «Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor».

 

3 – São Mateus faz-nos ver o cumprimento das promessas feitas por Deus ao Seu povo através dos Seus mensageiros. O profeta Isaías, ao anunciar a vinda do Emanuel, entrevê a festa que se fará pela vinda do Messias, a Luz que reflete a glória do Senhor.

O anúncio é também um convite a toda a cidade, para que desperte e se deixe inundar e iluminar pela luz que irradia por entre as trevas e a escuridão: «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas, sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora».

Os Magos vêm de longe, seguindo no encalço da Luz, dos confins da terra e reúnem-se à volta do Senhor, com os seus tesouros, «trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor».

O salmo afina pelo mesmo diapasão: «Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes, os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas. Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão de servir». Antes da adoração, a misericórdia de Deus e do Seu amor por nós. «Socorrerá o pobre que pede auxílio e o miserável que não tem amparo. Terá compaixão dos fracos e dos pobres e defenderá a vida dos oprimidos». Com efeito, é o Senhor que nos atrai com a Sua bondade, socorrendo-nos.

 

4 – O encontro com Jesus provoca alegria. Com efeito, quando a estrela «parou sobre o lugar onde estava o Menino, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra».

A alegria é um termómetro para o encontro com Jesus. Se O encontramos, a alegria extravasa. Como não lembrar o encontro de Maria com Isabel, e o júbilo de uma e de outra e do próprio João Batista no seio materno?!

 

5 – A vinda de Jesus ao mundo é para todos. Para mim e para ti! Certamente! Mas também para ele! Para aqueles que estão perto e para aqueles que estão longe! O desafio papal em colocar a Igreja em rota de saída, de evangelização, indo às periferias (não apenas geográficas, mas sobretudo) existenciais recorda-nos que Jesus veio para todos e a todos deve ser anunciado.

No Natal, o Presépio é constituído por José, Maria e Jesus. Logo depois, os Pastores. A Epifania, a manifestação de Deus n'Aquele Menino, aponta para os Magos vindos de longe, vindos do Oriente. Jesus é dado a conhecer a todo o mundo. Para já simbolicamente, mas logo como envio e compromisso dos Seus seguidores.

Diz-nos o Apóstolo São Paulo: «os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho». A graça que recebeu, o mistério de Cristo que lhe foi revelado, é instrumental, é a favor de todos. Antes o mistério estava oculto, ainda que fosse sendo desvelado aos judeus, através dos Profetas. Agora foi plenamente revelado em Jesus Cristo, num contexto judeu, mas para se espalhar por todo o mundo.

 

6 – O encontro com Jesus provoca a mudança de rumo. Um dos casos mais luminosos é o do Apóstolo São Paulo: perseguidor acérrimo dos discípulos e apóstolos, torna-se um acérrimo discípulo-apóstolo de Jesus e do Seu Evangelho.

Ora o encontro dos Magos com Jesus muda as suas vidas. A alegria do encontro deixo-os prostrados em adoração. Quando regressam às suas terras, regressam por outro caminho, percebendo que não podem voltar aos mesmos lugares. Num primeiro plano, não podem regressar ao palácio, pois Herodes tem o propósito de matar o Menino. Num plano mais abrangente, o encontro é de tal forma luminoso e redentor que a vida nunca será como dantes. A Luz que os guiou está mais viva, mais dentro, levá-los-á mais longe! Há que rasgar novos horizontes, novas vias, estradas e avenidas!

Predisponhamo-nos a seguir a Estrela de Belém, a seguir a Luz que é Jesus e a deixarmo-nos guiar por Ele. «Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória». E, uma vez inundados pela Luz de Jesus, deixemos que a luz passe para os outros.

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia (B): Is 60, 1-6; Sl 71 (72); Ef 3, 2-3a, 5-6; Mt 2, 1-12.


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