Domingo V da Páscoa - ano B - 29 de abril de 2018


1 – A cura é interior, ainda que o exterior a potencie. Na questão biológica, mas também afetiva, moral ou espiritual. Parafraseando Bento XVI no início do seu pontificado (24/04/2005), são muitos os desertos exteriores, mas maiores os interiores. São estes que, em definitivo, condicionam a vida das pessoas e do mundo.

Jesus Cristo dirá aos seus discípulos que o que contamina o homem é o que sai de dentro dele.

As doenças que nos afetam são interiores, como que nos circulam pelo sangue. Com efeito, até mesmo as feridas expostas são curáveis a partir de dentro, pelo sangue, com a medicação adequada, quando muito a partir de fora para evitar que alguma infeção atrase ou impeça a ação sobre doença. Há pessoas que qualquer corte sara rapidamente e outras que demora muito tempo: é do sangue! É a resposta. A medicação visa fortalecer o sangue e os seus fluidos, para melhor reagir a bactérias, para elevar algumas das suas propriedades curativas! Por vezes é preciso oxigenar o sangue, outras é necessário utilizar os vasodilatadores, tornar o sangue mais "líquido", ou mais denso.

Alimentámo-nos, alimentando o sangue! Corre-nos nas veias, artérias, vasos sanguíneos! O percurso pulmões-coração-corpo e corpo-coração-pulmões define grandemente a nossa saúde. Em algumas situações, temos que fazer transfusões de sangue, para repor rapidamente o sangue perdido, ou para o tornar saudável... Claro que o nosso organismo funciona como um todo, interagindo com todos os seus órgãos, desde a mais pequena célula até à complexidade das sinapses que fazem o cérebro funcionar; mas para lá da biologia, o espírito, a humanidade, os afetos, o amor que nos mantém vivos!

 

2 – «Eu Sou a videira, vós sós os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer». Para a nossa região duriense, como para as encostas da Galileia e de Jerusalém, a vinha é um cenário quotidiano que embeleza a paisagem e se torna o ganha-pão de muitas famílias. No tempo da poda, cortam-se os ramos que poderão estorvar uma boa produção, para que as uvas possam despontar e amadurar. Estes ramos são recolhidos e queimados.

Tal como a imagem do corpo, também esta é significativa. A seiva circula por toda a videira, até às pontas, até à parra. Se a cepa secar, por qualquer razão, também os ramos. Aliás, pelas folhas se podem detetar doenças ou maleitas da videira, podendo atacar-se o problema a tempo e horas.

A descrição de Jesus é muito real: «Eu Sou a verdadeira vide e Meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que está em mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto». Somos podados pelo Senhor, pela Sua palavra e, sobretudo, pelo Seu amor. «Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei». Importa passar da imagem para a vida, procurando mantermo-nos perto Jesus Cristo, pois tal como os ramos não produzem se não estiverem ligados à vide, assim nós se não estivermos ligados a Jesus Cristo.

 

3 – Na sua primeira Carta, São João reforça a certeza que as nossas opções e as obras que daí resultam corresponderão à verdadeira fé, pois esta entrelaça-nos com o bem, com a justiça, com a verdade, com a prática das boas obras. «Não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade».

O discipulado é firmado pelas obras. Sabemos qual a vontade de Deus: «A glória de meu Pai é que deis muito fruto». Dando muito fruto tornar-nos-emos verdadeiramente discípulos de Jesus. Não passa (somente) pelos propósitos, passa (sobretudo) pelo compromisso com os outros, no mundo atual. Somos de Deus. Permaneceremos em Deus se praticarmos os Seus mandamentos! E qual o Seu mandamento? «Acreditar no nome do Seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros».

Desta forma sabemos que permanecemos em Deus e Deus permanece em nós pelo Espírito que Ele nos concedeu. O nosso coração, desse modo, descansa em Deus. Deus é maior que o nosso coração. Podemos confiar. Façamos a nossa parte. Deus permanecerá fiel ao Seu amor. Se Lhe formos agradáveis em tudo o que fizermos, podemos pedir-Lhe o que quisermos que Ele nos concederá. O Apóstolo secundariza e sublinha as palavras de Jesus no Evangelho, que tinha incentivado a oração, como fruto e consequência da nossa ligação e do cumprimento dos Seus mandamentos.

 

4 – O Salmo responsorial (a resposta que damos à Palavra de Deus com a própria Palavra de Deus) sanciona a promessa de Deus a traduzir no tempo. «Os pobres hão de comer e serão saciados». Todos acorrerão ao Senhor. «Falar-se-á do Senhor às gerações vindouras e a sua justiça será revelada ao povo que há de vir». As maravilhas do Senhor serão um desafio à conversão e à adoração.

 

5 – Os Atos dos Apóstolos vão-nos narrando os frutos da pregação! Depois da conversão, Paulo procura juntar-se aos discípulos, integrando a comunidade. Mas o seu passado e o preconceito em relação à sua conversão e às suas reais intenções deixam alguns de pé atrás.

A comunidade é essencial no acolhimento do Evangelho, no testemunho da presença de Jesus Cristo Ressuscitado, na transmissão da fé. Quando a perseguição se vai fazendo sentir redobra o cuidado em relação àqueles que se aproximam. Mártires sim, mas não masoquistas! Barnabé procura fazer a ponte. É o Padrinho de Paulo na aproximação à comunidade, narrando-lhes o que lhe sucedeu, como encontrou o Senhor, como se converteu e como agora quer participar ativamente da evangelização. A fama de perseguidor persegue-o na sua nova condição de discípulo. De Jerusalém passa para Damasco, depois para Cesareia, seguindo para Tarso. Uns temem-no, outros querem matá-lo. A comunidade que o acolhe procura, agora, salvaguardá-lo de mal-entendidos.

O livro dos Atos dos Apóstolos dá-nos nota também de como a comunidade goza (ainda) de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, e como vai crescendo com a assistência do Espírito Santo. Invoquemo-l'O também nós para que nos assista, nos inspire e nos encoraje para sermos portadores do Evangelho e em todas as circunstâncias transpareçamos Jesus Cristo, morto e ressuscitado.

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia: Atos 9, 26-31; Sl 21 (22);1 Jo 3, 18-24; Jo 15, 1-8.


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