Domingo III do Advento- ano B - 17 de dezembro de 2017


1 – Vigiai. Preparai o caminho do Senhor. Acolhei com alegria o Senhor que vem salvar-nos!

A vigilância e a espera levaram-nos a refletir sobre o nosso compromisso com os outros, com o mundo que nos rodeia e que Deus confiou ao nosso cuidado. É uma espera ativa que nos leva a preparar o caminho, o coração e a vida para a chegada d'Aquele que nos visita. Preparado o caminho, a ALEGRIA pela proximidade e pela vida do Messias de Deus.

A oração predispõe-nos a acolhê-l'O e a reconhecê-l'O. «Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria».

Quais as razões da nossa alegria? Daquela alegria que não passa e nos dá ânimo para prosseguirmos apesar das dificuldades e intempéries? Há alegrias que cristalizam o momento: a vitória do nosso clube ou do nosso partido, o acertar em alguns números do euromilhões e ganhar € 12,75, uma raspadinha que nos faz ganhar € 8,00, ou ainda o jogo do placard que nos permite oferecer um jantar a meia dúzia de pessoas, um peça de roupa que conseguimos comprar, o regresso daquela série de televisão que seguimos atentamente, o animal de estimação que voltou para junto de nós.

Se não tivermos nenhuma patologia, as verdadeiras alegrias tem a ver com os amigos, com a família, com a saúde, com a harmonia social: a paz em família, no trabalho, um familiar que recuperou a saúde, um amigo que visitamos ou que nos visita.

A ALEGRIA deste domingo preenche-se de Deus, que na Sua infinita Sabedoria e no Seu Amor infindo, nos dá o Seu Filho bem Amado, para nos preencher de alegria.

2 – «Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. Não apagueis o Espírito, não desprezeis os dons proféticos; mas avaliai tudo, conservando o que for bom».

Alegria comprometida com o bem, como acentua São Paulo à comunidade de Tessalónica: «Afastai-vos de toda a espécie de mal. O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser – espírito, alma e corpo – se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo».

O Deus de toda a Paz concede-nos todo o bem, dá-nos o próprio Filho como dom. Depois é connosco. Melhor, é sempre com Deus e sempre connosco. Deus não nos falta com a Sua benevolência. Procuremos manter acesa a chama da fé, de uma fé que brilha com as obras, com a prática da caridade.

O profeta do Advento, Isaías, diz-nos os motivos do júbilo: «O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar o ano da graça do Senhor». Palavras que escutaremos a Jesus assumindo-as como Suas quando, na Sinagoga de Nazaré, pegar no rolo que contém este texto e revelar que em Si se cumpre a promessa.

Logo de seguida o Profeta faz-nos vislumbrar o hino do Magnificat, que Maria pronunciará diante a sua prima Isabel. Diz o Profeta: «Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça... Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações».

 

 

3 – Como salmo é-nos servido, neste 3.º Domingo de Advento, o Magnificat: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu-os de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia».

Maria, no encontro com Isabel, extravasa de júbilo. Aliás, neste encontro, João Batista exulta de alegria no seio de sua Mãe, Santa Isabel, que em breves palavras o confessa a Maria e o regista para nós: mal que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, logo o menino exultou de alegria no meu seio, bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do ventre!

A resposta de Maria, sói dizer-se, é como que um apanhado, uma composição ou uma bela síntese do Antigo Testamento, da história da salvação, da aliança de Deus como o Seu povo, instrumento de salvação para todos os povos. Maria exclama a alegria porque nela Deus traduz a história da salvação, levando à plenitude as maravilhas que vinha manifestando ao longo do tempo. Com efeito, Maria deixa que através dela Deus possa mostrar-Se no Seu esplendor e na maior das maravilhas, a vinda do Seu Filho Unigénito para ser Um de nós, Um connosco. É percetível, como tem acentuado o nosso Bispo, D. António Couto, que a motivação maior de Maria ao visitar a sua prima Isabel seja a de levar-lhe esta notícia luminosa: o Filho de Deus já está em advento no Seu seio virginal.

A presença do Filho de Deus congrega as maiores alegrias, mas como Se esconde na humanidade, teremos que O encontrar no cuidado aos que Deus coloca (precisamente) ao nosso cuidado.

 

4 – O primeiro encontro de Jesus e de João sublinha a alegria, a certeza que as maravilhas do Senhor Deus serão plenizadas, pois o coração do Seu Amado Filho já palpita como coração humano.

Passados mais ou menos 30 anos, quase estranhos e desconhecidos, Jesus e João voltam a encontrar-se. Talvez houvesse alguma intuição e alguma memória longínqua de encontros passados. Mas agora o tempo é novo, há uma nova "estrela" a brilhar, no caso o Sol que não tem ocaso. João veio como Precursor, mas no encontro com Jesus dá-se conta que a sua missão chegou ao fim, pois era provisória, ainda que seja incrustada à missão de Jesus. Por outras palavras, uma única missão: espalhar a Boa Nova que é Jesus, ora como promessa, para os que vieram antes, como realidade temporal e histórica na pessoa de Jesus, como concretização espiritual, sacramental e histórica para os que virão depois da Sua morte e ressurreição.

João está aí, com toda a convicção a anunciar a proximidade do reino de Deus a instaurar pelo Messias. Ele vem como testemunha da LUZ, assumindo-se não como a luz mas como «a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». Tem consciência do seu tempo e da sua missão e humildemente aponta para Outro: «Eu batizo na água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias».

João tinha tudo para criar uma seita à sua volta, agregando pessoas e grupos, mas a integridade e a humildade fazem-no portador de uma mensagem importante: anunciar Jesus, a Luz do mundo, o Messias de Deus, Aquele que está no meio de nós e nos batizará no fogo e no Espírito Santo. Imitando João Batista deixemos que a Luz de Cristo nos ilumine e perpasse através de nós para iluminar o mundo em que nos foi dado viver.

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia (B): Is 61, 1-2a. 10-11; Salmo: Lc 1, 46b-48. 49-50. 53-54; 1 Tes 5, 16-24; Jo 1, 6-8. 19-28.


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