Domingo I do Advento - ano C - 2 de dezembro de 2018


1 – «Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus».

A oração com que iniciamos a Eucaristia compromete-nos com a súplica que fazemos. Pedimos ao Senhor que desperte em nós a vontade de nos prepararmos firme e decididamente para ir ao encontro de Cristo. Essa preparação passa pela prática das boas que nos colocam no encalço da vida eterna. Chamados um dia à Sua direita, preparamo-nos, aqui e agora, no tempo e na história do mundo, para que quando chegar essa hora estejamos já moldados para sermos recebidos e assumidos definitivamente pelo Senhor da Vida.

Também no salmo que hoje proclamamos, resposta à Palavra de Deus com palavras de Deus, nos comprometemos com as preces que Lhe dirigimos. A súplica é desejo, é disponibilidade para assumirmos o que rezamos. «Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador».

A prece resulta da certeza que nos vem da fé e do caminho que nos propomos seguir com Deus e com aqueles que Ele colocou à nossa beira e fazem parte da nossa vida. «O Senhor é bom e reto, ensina o caminho aos pecadores. Orienta os humildes na justiça e dá-lhes a conhecer os seus caminhos. Os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos. O Senhor trata com familiaridade os que O temem e dá-lhes a conhecer a sua aliança».

No plano da fé, o conhecimento só por si é inútil. O conhecimento que nos abre a mente e sobretudo o coração aos desígnios de Deus torna-se não apenas útil mas fundamental. Conhecemos para amar e para viver. Para acolher e para seguir. Negativamente, não podemos amar o que desconhecemos e/ou ignoramos, a não ser como anseio, sede, abertura às surpresas de Deus.

 

2 – O início e o fim. Alfa e o Ómega. A origem de tudo e em Quem tudo terá um fim. E se para Ele caminhamos, pois é o nosso Fim, não faz sentido que nos guerreemos pelo caminho ou nos tornemos indiferentes em relação aos outros. Quando mais nos aproximarmos entre nós, mais nos aproximamos de Jesus, Senhor nosso Deus! Terminámos o ano litúrgico com a solenidade de Cristo Rei do Universo, iniciando, hoje, um novo ciclo, um novo ano litúrgico, com o primeiro domingo do Advento, na firme convicção que tudo se orienta para Deus. De Deus tudo parte, tudo nasce, tudo existe, e a Deus tudo se confia, tudo se Lhe entrega.

O entretanto, que vai desde a criação do mundo até que todos nos encontremos em Cristo, que vai do nosso nascimento à nossa morte histórica, faz-nos caminhar, procurando dar o melhor de nós mesmos, por entre a bonança e as provações que a vida nos coloca. Mas é um entretanto assegurado e iluminado pela presença de Jesus.

É esta a garantia de Jesus aos Seus discípulos, que hoje somos nós. Os tempos são como são, umas vezes mais luminosos, outras vezes mais violentos, como o tempo que atravessamos. «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas».

Jesus apela à fé e à confiança no poder de Deus, na Sua misericórdia infinita e na prevalência da salvação, de que Ele é precisamente a encarnação, a promessa que se cumpre. «Então, hão de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima».

 

3 – «Erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima».

Por mais otimistas que sejamos, quando vemos as desgraças que se sucedem em catadupa, quando nos entram pelos ecrãs do computador, da televisão, do telemóvel, nos jornais e revistas e outros folhetins, tantas notícias negativas, mortes, corrupção, violência doméstica, rixas, guerra, fosso abissal entre ricos e pobres, perseguição política, ideológica e religiosa, poderemos deixar-nos derrotar pelo pessimismo e baixar os braços uma vez que perante todo o mal qualquer bem parecerá minúsculo.

Santa Teresa de Calcutá insistia sempre que o pouco que fizermos fará diferença, afinal, uma gota num oceano pode parecer insignificante mas sem essa gota o oceano fica incompleto. Não nos é pedido que "salvemos" todas as pessoas, mas que "salvemos" aquela pessoa com que nos deparamos agora.

As palavras de Jesus são clarividentes. Erguei-vos. Levantai a cabeça. A vossa redenção aproxima-se. Porém, Jesus deixa o alerta: «Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra». E logo acrescenta: «Vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem». Não nos cabe cruzar os braços, mas levantar a cabeça e procurar fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para tornarmos visível a salvação que nos é dada em Jesus Cristo.

 

4 – Vendo de longe, como a flor de amendoeira a despontar em pleno inverno, Jeremias não se deixa atemorizar por um longo sábado cheio de provação, de adversidade, de contrariedades, de divisões. A Aliança que Deus fez com o Seu povo parece abandonada. Por um lado, as dúvidas e as interrogações do povo diante das intempéries, optando por se reger pelas próprias regras. Por outro, Deus que Se mantém fiel, apesar do pecado e das trevas em que o povo caiu, fazendo-Se ouvir pelos profetas.

Através de Jeremias, Deus sanciona a promessa: «Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá: naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra. Naqueles dias, o reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança. Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’».

O rebento floresce com a chegada de Jesus, Deus connosco, Deus que Se faz carne.

 

5 – Na segunda leitura, o Apóstolo São Paulo, ao dirigir-se aos cristãos de Tessalónica, e a nós também, fá-lo em forma de oração suplicante. E, como acontece muitas vezes, a oração é já compromisso com o que se pede a Deus. Melhor, se se pede algo a Deus é para que a Sua santa vontade se realize na nossa vida.

«O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós a temos tido para convosco. O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível, diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus, nosso Senhor, com todos os santos».

A missiva do Apóstolo em formato de súplica desafia-nos a abundar na caridade, procurando ser fiéis à santidade que nos envolve em Cristo Jesus. Quem reza a Deus como Pai, caminha para viver e se assumir irmão dos outros, agindo em conformidade.

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia (ano C): Jer 33, 14, 16; Sl 24 (25); 1 Tes 3, 12 – 4, 2; Lc 21, 25-28. 34-36.


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