Domingo I do Advento - ano A - 1 de dezembro de 2019


1 – Vigiai. Estai preparados. Iniciamos um tempo novo e todos os tempos, em Deus, são tempos de bênção, de salvação e de vida nova, acolhida, vivida e partilhada. Um tempo novo, diferente, que nos interpela e nos desafia. Faz-nos ver e saborear o que lá vem, melhor, Quem vem lá. E, bem sabemos, que quando estamos distraídos, demasiado absorvidos pelas preocupações do dia a dia, corremos o sério risco de não dos apercebermos de quem se aproxima. E nem sequer apreciamos o que nos rodeia, a natureza, mas sobretudo as pessoas que Deus colocou na nossa vida.

Quem está de vigia não para, está num estado de tensão, de atenção, mesmo que esteja fixo num ponto, olha para um e outro lado, foca-se no horizonte e em qualquer movimento ou barulho. A vigilância dá trabalho e pode até ser muito cansativa. Começa-se a perceber que vigiar não é ficar parado sem fazer nada, exige disponibilidade, ânimo, pressupõe vitalidade, precisa de energias.

Se dúvidas houvesse, Jesus clarifica: estai preparados. Estejamos alerta. Não vacilemos. Não adormeçamos durante a espera. Esta é uma espera ativa. Quando aguardamos alguém, preparamo-nos, vamos imaginando conversas que vamos ter, como vamos encontrar o outro; podemos não nos vestirmos de gala mas atendemos um pouco mais à roupa que vamos usar; arrumamos a casa, mesmo que já esteja arrumada, limpa e que esteja tudo no lugar, mas verificamos uma e outra vez. Há de ser assim a nossa vigilância expectante d'Aquele que está para chegar, seja celebrativamente, no Natal, seja quando a vida nos conduzir à plenitude de Deus.

 

2 – Jesus aponta para os dias da vinda do Filho do Homem, comparando com o tempo de Noé. «Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou».

Entretidos que andavam a destruir-se uns aos outros, nem se deram conta que a destruição se aproximava para todos. O egoísmo, a inveja, a violência, os ódios podem fazer com que destruamos os outros, mas também acabaremos por nos destruir a nós mesmos. Só momentaneamente haverá vencedores, mas com o tempo ver-se-á que é como a terra queimada, não resta nada para os outros, mas também nós não teremos como sobreviver. O dilúvio empresta-nos esta belíssima parábola da vida humana: ocupados a guerrear-nos ou a tratar das nossas coisas, não reparamos nos outros, não reparamos nos sinais, não reparamos no que está a acontecer à nossa volta e, depois, quando nos damos conta, já é tarde, já estamos engolidos por uma qualquer tempestade.

O passado pode servir para nos manter de atalaia, não para nos sentirmos espezinhados ou paralisados pelo medo, nem tão pouco mais ou menos, mas para que os erros do passado não se multipliquem. Isso se chama sabedoria, aprendemos com os erros, crescemos, englobamos tudo, misturando com doses de confiança e de alegria, com esperança e criatividade.

Como será a vinda do Filho do homem? «Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada».

 

3 – O que há de vir, virá. A inevitabilidade do tempo, da fragilidade e finitude humanas, trará, por certo, sofrimento e dúvida, tristeza e desencanto. Haverá momentos sombrios. Contudo, para lá das nuvens, por mais carregadas que estejam, há o sol brilhante pronto para se mostrar a qualquer instante.

Para o cristão há de sobrevir a esperança e a alegria, a bênção e a salvação, a certeza que Deus não nos faltará. Mais que olharmos para o que está para vir, é essencial que tratemos de viver o melhor possível no tempo que Deus nos dá, aqui e agora. «Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados». A vinda do Filho do homem é certa. Então tratemos de estar preparados, vivendo!

É preciso, diz-nos São Paulo, despertar: "Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e ciúmes; não vos preocupeis com a natureza carnal para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo".

O Apóstolo interpela-nos a deixar-nos iluminar pela luz e pelo dia, a revestir-nos de Cristo e do Seu amor, deixando as obras das trevas, aproveitando as energias para as obras do dia, para o bem.

 

4 – Isaías, ao longe, antecipa o tempo novo que está para vir. O profeta vislumbra as contradições e as desgraças, fruto do egoísmo, traduzido em violência e guerra, mas olha mais longe e mostra como está perto a salvação de Deus. Não é uma visão utópica de um futuro longínquo, inalcançável. Os tempos não são fáceis, nem hoje, nem amanhã. Porém, podemos confiar em Deus.

"Sucederá, nos dias que hão de vir, que o monte do templo do Senhor se há de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão de preparar para a guerra".

O convite de Isaías, tal como se vê também em São Paulo, é para agora: "Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor". Deus confia em nós e confia-nos o mundo. Cabe-nos responder-Lhe e cuidarmos uns dos outros, experimentando já a Sua presença amorosa, visível nas obras da luz: a ternura, o perdão, a bondade, o cuidado do nosso semelhante. O futuro a Deus pertence. Ele dá-nos o presente para O mostrarmos aos outros, com alegria, sendo bênção, apostando as fichas no amor e no perdão, na verdade e na justiça, na ternura e serviço, em todo o bem que fazemos.

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia (ano A): Is 2, 1-5; Sl 121 (122); Rom 13, 11-14; Mt 24, 37-44.

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