Domingo de Páscoa - ano C - 21 de abril de 2019


Quase no final do Evangelho que ouvimos na Quinta Feira Santa, na celebração da Ceia do Senhor, com a qual demos início ao Tríduo Pascal, Jesus pergunta aos Apóstolos: “Compreendeis o que vos fiz?”. Esta pergunta questionava se eles tinha compreendido o significado daquele gesto, do Lava-pés, que lhes causou escândalo  ou, no mínimo, estranheza. 

Não sabemos se eles terão compreendido a explicação de Jesus, pelo menos naquele momento.

Mas esta pergunta que abre o Tríduo Pascal pode aplicar-se aos dias seguintes: a entrega de Jesus e a sua morte na cruz pode levar à pergunta: “Compreendemos porque o fez?” e na Vigília Pascal e Domingo de Páscoa questionemo-nos: “Porque mo fez’”.

Em todo este questionamento há um fio comum: o destinatário de todos estes gestos inauditos e únicos que vão do lava-pés até à morte e ressurreição tem como destinatário o Homem.

São gestos de amor pela humanidade e são o maior gesto de amor humano e divino, por isso, perguntemo-nos com insistência: “Compreendemos o que Jesus fez?"

Se a resposta é positiva então porque ainda há tanta busca de poder, tanta preocupação com o meu bem-estar, porquê tanta afirmação de amor-próprio e tanto fechamento ao amor dos outros, porque teimamos em procurar a felicidade a satisfazermo-nos a nós próprios e a esquecer o amor de que somos devedores aos outros?

Se nos questionamos, menos mal, se a pergunta é sincera poderemos obter uma resposta. O problema é quando já não temos perguntas, vivemos anestesiados e indiferentes, já nada nos move, arrastamo-nos, já nada nos comove, secou o coração.

Substituímos a Luz de Cristo por luzes que são tristes imitações da Luz e caminhamos às apalpadelas como homens que caminham de noite e sem luz.

E a Luz está aí, dada por Jesus, oferecida gratuitamente por Deus, mas tão habituados estamos aos cálculos comerciais que não damos valor ao gratuito.

Nestes dias foram colocadas cruzes em diversas entradas da paróquia, ornamentadas com panos roxos, símbolos da Quarema e de dor e da espera. Vimos os panos a aproveitarem a boleia do vento e esvoaçarem com força como quem se quer libertar da cruz e do sofrimento. Metáforas do desejo do homem de libertar-se do que o amarra, desejos também de homens cristãos, que enxertados em Cristo, pelo Batismo, devem “aspirar às coisas do alto, onde Cristo Se encontra, sentado à direita de Deus” (Epístola de S. Paulo aos Colossenses , 2.ª Leitura) e esta porta nos é largamente aberta pela Ressurreição do Senhor.

A natureza que emoldura as cruzes atrás referidas com os montes cheios de flores. Símbolo da primavera nova, flores novas. Basta tirar os tecidos roxos para ficarem como pano de fundo… Mas elas irão direitas às cruzes que serão emolduradas e perfumadas por elas, como símbolo do amor que sempre ressuscita a terra e o homem.

No Evangelho de hoje escutamos como dois discípulos correm ao sepulcro, o mais novo, João, chegou primeiro, mas esperou por Pedro e viram os sinais da Ressurreição.

Um discípulo jovem correu e chegou primeiro, resultado da agilidade da juventude, mas também do facto de ter acompanhado Jesus até ao sepultamento. Como não nos maravilharmos com as centenas de jovens que nestes dias colaboram como acólitos, leitores e cantores nestas celebrações e depois acompanham o Compasso a anunciar a Ressurreição de Jesus.

Vemos bem, ontem como hoje, que os jovens são o agora de Deus. Diz o Papa Francisco, na Exortação Apostólica Cristo Vive: “Depois de percorrer a Palavra de Deus, não podemos dizer apenas que os jovens são o futuro do mundo. São o presente, estão a enriquecê-lo com o seu contributo” (n.º 64).

Obrigados queridos jovens pelo vosso empenho nesta aventura bela do anúncio da alegria do Evangelho. Ajudai-nos a não envelhecer espiritualmente, tornai sempre jovem o rosto da Igreja, acordai-nos da anestesia da indiferença, desafiai-nos com a vossa criatividade. Em suma, convosco, também nós queremos ser o agora de Deus.

 

Santa e Feliz Páscoa a todos.

Pe. João Carlos, Pró-Vigário Geral da Diocese de Lamego


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